{"id":5072,"date":"2023-05-11T10:04:42","date_gmt":"2023-05-11T13:04:42","guid":{"rendered":"https:\/\/cje.webhostusp.sti.usp.br\/?p=5072"},"modified":"2023-05-11T10:04:42","modified_gmt":"2023-05-11T13:04:42","slug":"remo-universitario-a-mais-nova-modalidade-na-eca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cje.eca.usp.br\/?p=5072","title":{"rendered":"Remo Universit\u00e1rio: a mais nova modalidade na ECA"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center has-white-color has-vivid-green-cyan-background-color has-text-color has-background wp-block-paragraph\" style=\"font-size:9px\"><strong>ESPORTES<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\"><em>Embora antigo na USP, na ECA, o time \u00e9 recente. Conhe\u00e7a a pr\u00e1tica esportiva e a Ecapivaras, equipe de remo da Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde a Antiguidade, o homem desbrava as \u00e1guas com a for\u00e7a bra\u00e7al e um \u00fanico instrumento: o remo. De acordo com o Comit\u00ea Ol\u00edmpico Brasileiro, muitos historiadores acreditam que o primeiro registro da pr\u00e1tica do remo foi feito na obra Eneida, do poeta grego Virg\u00edlio, ainda em 19 a.C. Outros estudiosos defendem que o verdadeiro marco inicial para o remo aconteceu em Veneza nos anos 1300, local de surgimento do termo \u201cregata\u201d e das provas com timoneiros, resultando nas remadas.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar das m\u00faltiplas possibilidades para a origem da pr\u00e1tica, \u00e9 consenso geral que o remo consolidou-se como esporte na Inglaterra, somente em meados do s\u00e9culo IX \u2014 o Leander Club, primeiro clube de remo do mundo, nasceu em 1817. O apoio universit\u00e1rio garantiu o sucesso do esporte. Em 1829, as universidades de Cambridge e Oxford adotaram a categoria esportiva, iniciando a realiza\u00e7\u00e3o da tradicional regata no Rio T\u00e2misa, que ocorre anualmente e revive os prim\u00f3rdios do remo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s isso, rapidamente as regatas se espalharam para v\u00e1rios pa\u00edses na Europa e as embarca\u00e7\u00f5es, largas e pesadas, evolu\u00edram atrav\u00e9s de t\u00e9cnicas \u2014 como o uso de fibra de carbono para constru\u00e7\u00e3o \u2014 que permitiram resultados cada vez melhores, principalmente pela rapidez com que deslizavam na \u00e1gua. Estas&nbsp; evolu\u00e7\u00f5es contribu\u00edram para uma maior expans\u00e3o do esporte, permitindo que ele chegasse aos outros continentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em territ\u00f3rio nacional, o remo chegou no modelo que conhecemos hoje no ano de 1983, nas cidades de Santos e de Porto Alegre. Todavia, segundo a Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Remo, h\u00e1 registro da atividade de forma amadora no pa\u00eds desde 1566. A primeira regata disputada em solo brasileiro de que se tem conhecimento aconteceu na enseada de Botafogo, no Rio de Janeiro, em 1851. Nas d\u00e9cadas seguintes surgiram v\u00e1rios clubes e sociedades de regatas, com provas comemorativas realizadas no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Bahia, S\u00e3o Paulo e Pernambuco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Campeonato Sul-Americano de remo, disputa que se iniciou em 1948 no Uruguai e ganhou cunho oficial no ano de 1945 com a funda\u00e7\u00e3o da Confedera\u00e7\u00e3o Sul-Americana de Remo, conta com a participa\u00e7\u00e3o ass\u00eddua de diversos pa\u00edses, incluindo o Brasil, que consagrou-se campe\u00e3o da disputa pela primeira vez em 1954.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\">T\u00e1, mas como o remo funciona?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O conceito do remo \u00e9 simples: os atletas, devidamente sentados em seus barcos e de costas para a linha de chegada, utilizam os remos para movimentar a embarca\u00e7\u00e3o o mais r\u00e1pido poss\u00edvel e alcan\u00e7ar o fim do trajeto antes dos outros competidores. Dependendo da modalidade praticada, h\u00e1 mudan\u00e7as na quantidade de pessoas em cada barco, que podem variar de apenas um at\u00e9 oito, e quantos remos cada um desses atletas ir\u00e1 utilizar, que podem ser apenas um ou dois.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em rela\u00e7\u00e3o aos equipamentos, os mais importantes s\u00e3o o pr\u00f3prio barco, os remos, a forqueta e as roupas. O primeiro elemento atualmente \u00e9 constru\u00eddo de fibra de carbono, com dimens\u00f5es que variam de acordo com a categoria, mas que, no geral, mant\u00e9m a proposta de serem embarca\u00e7\u00f5es estreitas e com facilidade para ganhar velocidade. Os remos tamb\u00e9m s\u00e3o um elemento chave, podendo ser feitos de fibra de carbono ou madeira, com tamanhos que tamb\u00e9m ir\u00e3o variar de acordo com a prova. A forqueta \u00e9 o local de apoio do remo e as roupas s\u00e3o importantes pois devem ser de tecidos que facilitem a mobilidade do atleta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O remo \u00e9 dividido nas seguintes categorias: Sexo (masculino, feminino ou misto), Idade\/N\u00edvel (J\u00fanior: remadores com no m\u00e1ximo 18 anos, Sub 23: m\u00e1ximo 22 anos, S\u00eanior: a partir dos 19 anos, Master: acima dos 27 anos), Peso (Leve: 72,5 kg para homens e 59 kg para mulheres, Pesado: remadores acima do peso leve), Remo Paral\u00edmpico (PR1: remadores que possuem somente mobilidade de ombros e bra\u00e7os, PR2: mobilidade nos troncos e nos bra\u00e7os e PR3: mobilidade nas pernas, troncos e bra\u00e7os) e as categorias Ol\u00edmpicas (sete masculinas, sete femininas, paral\u00edmpico masculino, feminino e misto, este \u00faltimo com tr\u00eas modalidades).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\">Remo na ECA: ECAPIVARAS<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Criado este ano, o time de remo \u00e9 a mais nova modalidade da ECA. Christian Delphino, atual diretor do remo e organizador do time Ecapivaras, comenta que existiram movimenta\u00e7\u00f5es para a implanta\u00e7\u00e3o da modalidade em outras ocasi\u00f5es, mas os projetos n\u00e3o seguiram em frente por diversas quest\u00f5es burocr\u00e1ticas. \u201cConversando com o pessoal da Ecatl\u00e9tica, fui posto como diretor da modalidade de remo e oficializamos um time. Busquei um t\u00e9cnico e come\u00e7amos a divulga\u00e7\u00e3o procurando interessados na ECA. O resultado foi que muitas pessoas queriam participar e, agora, j\u00e1 treinamos sozinhos, com hor\u00e1rio e t\u00e9cnico s\u00f3 pra galera da ECA.\u201d, relata.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lu\u00edse Silva, caloura do curso de jornalismo, conta que sua primeira experi\u00eancia em um esporte como o remo foi com a equipe da ECA. \u201cEu achei uma experi\u00eancia muito incr\u00edvel! Porque \u00e9 um esporte que utiliza diversas t\u00e9cnicas, tem toda uma concentra\u00e7\u00e3o. Quando voc\u00ea pega o jeito, \u00e9 maravilhoso! A princ\u00edpio voc\u00ea sente um pouco de dificuldade, mas com o tempo voc\u00ea se acostuma e come\u00e7a a gostar!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de ganhar espa\u00e7o entre os estudantes, o remo da ECA ainda enfrenta alguns obst\u00e1culos, como a falta de investimento em equipamentos do Cepeusp (Centro de Pr\u00e1ticas Esportivas da Universidade de S\u00e3o Paulo).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"460\" src=\"https:\/\/cje.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/image3-2-1024x460.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5073\" srcset=\"https:\/\/cje.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/image3-2-1024x460.jpg 1024w, https:\/\/cje.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/image3-2-300x135.jpg 300w, https:\/\/cje.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/image3-2-768x345.jpg 768w, https:\/\/cje.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/image3-2-1536x690.jpg 1536w, https:\/\/cje.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/image3-2.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Raia Ol\u00edmpica do Cepeusp [Reprodu\u00e7\u00e3o: Acervo Ecapivaras]<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c\u00c9 uma estrutura, de certa forma, prec\u00e1ria. Temos um barco escola e barcos disponibilizados para os alunos que, apesar de bons, dificilmente t\u00eam manuten\u00e7\u00e3o regular\u201d, destaca Delphino. O diretor da categoria explica que a Raia Ol\u00edmpica do Cepeusp \u00e9 aberta ao p\u00fablico e equipes privadas utilizam o espa\u00e7o, mas fazem uso de equipamentos separados. Os materiais utilizados nos treinos da Ecapivaras s\u00e3o disponibilizados pelo Centro Esportivo. \u201cComo a raia \u00e9 muito movimentada e a maior parte n\u00e3o \u00e9 de alunos e pessoas da pr\u00f3pria USP, n\u00e3o h\u00e1 tanto apelo universit\u00e1rio, n\u00e3o \u00e9 uma \u00e1rea com muito investimento. Por exemplo, na parte de tr\u00e1s dos vesti\u00e1rios, tem v\u00e1rios barcos jogados e quebrados, pois n\u00e3o h\u00e1 verba para manuten\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lu\u00edse tamb\u00e9m relata as condi\u00e7\u00f5es ruins dos equipamentos p\u00fablicos: \u201cOs equipamentos dos clubes privados, como o Bandeirantes e o Corinthians, s\u00e3o novos. Os do Cepeusp n\u00e3o s\u00e3o nada novos. Inclusive, a academia que tem para os alunos \u00e9 toda enferrujada, bem arcaica.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para al\u00e9m dos problemas com a manuten\u00e7\u00e3o, a pouca quantidade de materiais de treino disponibilizada atrapalha a participa\u00e7\u00e3o de todos os interessados na pr\u00e1tica do esporte. Christian explica que o remo, apesar de possuir categorias coletivas, \u00e9 majoritariamente um esporte individual, demandando uma estrutura que o Cepeusp n\u00e3o possui. Al\u00e9m disso, o barco escola, utilizado pelas pessoas que ainda n\u00e3o est\u00e3o aptas para o treino na \u00e1gua, comporta apenas quatro remadores por vez. Com a grande ades\u00e3o dos estudantes pelo remo, os treinos da equipe t\u00eam lotado e, muitas vezes, o t\u00e9cnico precisa pensar em novas did\u00e1ticas para que todos tenham acesso ao esporte.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/cje.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/image1-4-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5075\" srcset=\"https:\/\/cje.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/image1-4-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/cje.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/image1-4-300x169.jpg 300w, https:\/\/cje.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/image1-4-768x432.jpg 768w, https:\/\/cje.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/image1-4.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Yole<\/em>, barco coletivo que comporta 8 pessoas [Reprodu\u00e7\u00e3o: Acervo Ecapivaras]<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No cen\u00e1rio competitivo, os clubes privados e as atl\u00e9ticas com melhores condi\u00e7\u00f5es financeiras t\u00eam uma hegemonia. \u201cEles dominam todo o cen\u00e1rio e a gente precisa mudar isso, transformar o remo em um esporte mais democr\u00e1tico\u201d, declara o diretor esportivo. Mesmo com os desafios de utiliza\u00e7\u00e3o, os d\u00e9ficits de equipamentos e as desigualdades dentro da pr\u00f3pria USP, Christian afirma: \u201ca ECA tem conseguido driblar tudo isso, acolher todo mundo! Hoje, j\u00e1 passaram 30 pessoas no time e cerca de 20 continuam ativas. Desde o in\u00edcio deste ano, a raia est\u00e1 muito mais diversa e movimentada.\u201d Ele acrescenta tamb\u00e9m que, embora a estrutura do Cepeusp n\u00e3o seja a ideal, precisa ser valorizada e utilizada cada vez mais. Dessa maneira, o investimento crescer\u00e1 e o local propiciar\u00e1 igualdade entre todas as equipes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\">Participa\u00e7\u00e3o nos treinos<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aos alunos que tiverem interesse ou curiosidade, basta entrar em contato com um representante da Ecatl\u00e9tica ou membro do time de remo. Os treinos ocorrem na raia ol\u00edmpica em hor\u00e1rios marcados previamente. O barco escola \u00e9 usado nos treinos para familiarizar os iniciantes \u00e0 t\u00e9cnica e \u00e9 nele que ocorrem os primeiros treinos. Em algumas ocasi\u00f5es, um passeio de barco coletivo \u00e9 realizado com os novatos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nadar n\u00e3o \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o, o Cepeusp fornece colete salva vidas para quem n\u00e3o se sente seguro. \u201cInclusive temos uma pessoa no time que n\u00e3o sabe nadar. A gente n\u00e3o vai negar ou impedir ningu\u00e9m de treinar por isso! Acho que todos os times t\u00eam que ter essa ideia de um esporte de inclus\u00e3o, acessibilidade e democracia\u201d, conclui Delphino.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><em>B\u00e1rbara de Aguiar<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><em>Ester Nascimento<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><em>Miri\u00e3 Gama<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><em>Revis\u00e3o: Artur Abramo e Lara Soares<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ESPORTES Embora antigo na USP, na ECA, o time \u00e9 recente. 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