{"id":2140,"date":"2019-09-09T15:39:05","date_gmt":"2019-09-09T18:39:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.usp.br\/cje\/?p=2140"},"modified":"2019-11-28T12:22:10","modified_gmt":"2019-11-28T14:22:10","slug":"licoes-do-romance-distopico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cje.eca.usp.br\/?p=2140","title":{"rendered":"Li\u00e7\u00f5es do romance dist\u00f3pico"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Por Jean Pierre Chauvin, professor da disciplina de gradua\u00e7\u00e3o Romance Dist\u00f3pico, na ECA\/USP<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-background has-very-light-gray-background-color wp-block-paragraph\">Editorias:&nbsp;<a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/editorias\/artigos\/\">Artigos<\/a>&nbsp;&#8211; URL Curta:&nbsp;<a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/?p=271025\">jornal.usp.br\/?p=271025<\/a><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.usp.br\/cje\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/20180215_00_jean_pierre_chauvin.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2141\" width=\"131\" height=\"131\" srcset=\"https:\/\/cje.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/20180215_00_jean_pierre_chauvin.jpg 420w, https:\/\/cje.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/20180215_00_jean_pierre_chauvin-150x150.jpg 150w, https:\/\/cje.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/20180215_00_jean_pierre_chauvin-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 131px) 100vw, 131px\" \/><figcaption> Jean Pierre Chauvin \u2013 Foto: Marcos Santos\/USP Imagens <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Para meus(minhas) alunos(as)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap wp-block-paragraph\">Se h\u00e1 uma coisa que o romance dist\u00f3pico nos ensina \u00e9 a detectar, descrever e refutar as sociedades totalit\u00e1rias \u2013 quase sempre armadas com ju\u00edzos alheios e pensamento \u00fanico, sob as lentes vigilantes do Estado uniformizador. Com frequ\u00eancia, o discurso torpe de l\u00edderes de papel pode contagiar, at\u00e9 mesmo, os sujeitos mais bem-intencionados: a bravata institucional \u00e9 replicada, com esc\u00e1rnio, por homens-c\u00e9lula alheios \u00e0 mis\u00e9ria social que os cerca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 quase um s\u00e9culo, Sigmund Freud sugeriu que um dos tra\u00e7os dominantes no indiv\u00edduo autorit\u00e1rio \u00e9 o comportamento narcisista, a oscilar \u2013 para mais, para menos \u2013 conforme a orienta\u00e7\u00e3o da massa em que est\u00e1 inserido. Louis Althusser mostrou como a ideologia reverbera de cima para baixo e avaliza o modo como falam e procedem os agentes da repress\u00e3o. Michel Foucault observou que o totalitarismo, quase sempre referendado pela lei e pela moral dos tempos, pretende justificar as v\u00e1rias formas de interdi\u00e7\u00e3o e\/ou exclus\u00e3o, segundo os interesses dos mais ricos e\/ou poderosos. Jean Baudrillard salientou que, na Era do Consumo, perfaz-se o simulacro da fartura que remontaria \u00e0s antigas Idades de Ouro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Suspeito que, para alguns indiv\u00edduos \u2013 tanto os inseridos, quanto os enjeitados pelos estreitos c\u00edrculos de poder \u2013, o esp\u00edrito cr\u00edtico seria uma esp\u00e9cie de v\u00edrus da contesta\u00e7\u00e3o e, como tal, precisaria ser curado, combatido, extirpado. \u00c9 que a criticidade, vale lembrar, jamais repousa: \u00e9 um modo de conceber o mundo e as pessoas (em \u00faltima inst\u00e2ncia, s\u00e3o elas que montam ou desmontam a&nbsp;<em>polis<\/em>&nbsp;ou interferem no planeta) que considera a tens\u00e3o entre interesses antag\u00f4nicos, quase sempre relacionados \u00e0s assimetrias que envolvem indiv\u00edduos origin\u00e1rios de respectivas classes, a ocupar estamentos sociais. Isso talvez explique a sanha de quem est\u00e1 l\u00e1 \u2013 e daqueles que os apoiam \u2013, pela padroniza\u00e7\u00e3o de pensamentos e atitudes, a que os sujeitos solid\u00e1rios (e mais capazes de alguma cr\u00edtica) se contrap\u00f5em.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como se suspeita, a quest\u00e3o ultrapassa o \u00e2mbito da equipe que est\u00e1 (ou finge estar) no comando. Isso porque o poder que emana do&nbsp;<em>staff<\/em>, embora totalizante e destrutivo, conta com a ades\u00e3o de s\u00f3cios, mas tamb\u00e9m de parcelas da popula\u00e7\u00e3o que est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o ou mais periclitante que a nossa. Em meio \u00e0 desfa\u00e7atez dos governantes, um dos sintomas manifestados pelos sujeitos cr\u00edticos cont\u00e9m um misto de tristeza e indigna\u00e7\u00e3o, que se tende a descrever e tratar como ang\u00fastia. O diagn\u00f3stico parece razo\u00e1vel. Bastaria averiguar em que medida a crise financeira \u00e9 mais um discurso do que uma realidade; mais um pseudoargumento a transferir, injustamente, responsabilidades do atual desgoverno para outros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Evidentemente, o que acontece hoje n\u00e3o nasceu na semana passada. O que se viu, a partir dos anos de 1950, \u00e9 que quanto mais avan\u00e7ava o liberalismo econ\u00f4mico e diminu\u00eda a liberdade individual, mais se inventaram modos de abrandar o discurso e os efeitos delet\u00e9rios do capital especulativo e, mais tarde, fracion\u00e1rio (ou seja, sem lastro nas reservas monet\u00e1rias). Tornou-se frequente o comportamento dos governantes como ref\u00e9ns do \u201chumor\u201d ou do \u201ctemperamento\u201d dos bancos e das bolsas. Uma das solu\u00e7\u00f5es mais simplistas e infelizes \u00e9 transformar a crise em sintoma e atribu\u00ed-la \u00e0 \u201cinstabilidade\u201d do mercado. Seria o caso de nos perguntarmos: essa coisa abstrata, chamada&nbsp;<em>mercado<\/em>, por acaso \u00e9 gente? Ou, pior, o que o&nbsp;<em>mercado<\/em>&nbsp;entende do bem-estar das&nbsp;<em>gentes<\/em>? Em contrapartida, haveria \u201ccomportamento\u201d&nbsp;<em>est\u00e1vel<\/em>&nbsp;de mercado?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Referendada por especialistas, a \u00e9tica do lucro<a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/artigos\/licoes-do-romance-distopico\/?fbclid=IwAR2WJRzmPk-RCOvy8AsML9juwpnGGzRiQi02EwZOagcFU-aZjFQ1EQnVgtw#_ftn1\">[1]<\/a>&nbsp;transfere a m\u00e1 gest\u00e3o, o risco anunciado, o mal funcionamento da engrenagem, a falta de rentabilidade etc. para as pessoas que menos participam dela. O discurso da crise n\u00e3o s\u00f3 forja n\u00fameros ou encontra culpados; concede tra\u00e7os humanoides para os computadores, as m\u00e1quinas, as&nbsp;<em>commodities<\/em>&nbsp;e os bancos. Essa acep\u00e7\u00e3o favorece os detentores de t\u00edtulos, largas propriedades e funcion\u00e1rios (ou \u201ccolaboradores\u201d com seu lucro). O discurso da meritocracia reitera que cabe a n\u00f3s \u2013 que nos admitimos mortais e parte do povo \u2013 o \u00f4nus de nossa exist\u00eancia inc\u00f4moda, pouco rent\u00e1vel, fracassada. Como isso acontece? A linguagem mercadol\u00f3gica \u00e9 adornada com um l\u00e9xico humanizador, a com vistas a disfar\u00e7ar a faceta paternalista e excludente de pequenos gestores e grandes neg\u00f3cios: o patr\u00e3o virou&nbsp;<em>l\u00edder<\/em>; agora,&nbsp;<em>gestor<\/em>. O trabalhador tornou-se&nbsp;<em>colaborador<\/em>, ou&nbsp;<em>prestador<\/em>, ou mesmo&nbsp;<em>empreendedor<\/em>&nbsp;de si mesmo<a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/artigos\/licoes-do-romance-distopico\/?fbclid=IwAR2WJRzmPk-RCOvy8AsML9juwpnGGzRiQi02EwZOagcFU-aZjFQ1EQnVgtw#_ftn2\">[2]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Decorre da\u00ed um dos pap\u00e9is da assim chamada \u201c\u00e9tica corporativa\u201d: contrabalan\u00e7ar, no plano das ideias, os efeitos perniciosos da crescente concentra\u00e7\u00e3o de renda, como recomenda a nov\u00edssima ordem mundial, replicada em distopias que exterminam etnias, queimam florestas e afogam refugiados. O pensamento \u00fanico est\u00e1 na matriz das hist\u00f3rias de fic\u00e7\u00e3o mais impactantes, transcorridas em mundos t\u00e3o dessemelhantes quanto an\u00e1logos ao nosso. Nessas hist\u00f3rias h\u00e1 subst\u00e2ncias sintetizadas pela ind\u00fastria farmac\u00eautica \u2013 de m\u00e3os atadas com o Estado totalit\u00e1rio \u2013 que funcionam como ant\u00eddotos tempor\u00e1rios contra a eventual postura reflexiva e\/ou a menor produtividade dos sujeitos. Para os regimes inventados nos livros, \u00e9 perigoso que os indiv\u00edduos defendam algum quinh\u00e3o de liberdade, em meio \u00e0 padroniza\u00e7\u00e3o dos modos de conceber a si mesmos e os outros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao lado do idioma da crise caminha a narrativa da inseguran\u00e7a. O \u201cestado de guerra\u201d poderia ser entendido como t\u00f3pica comum aos romances dist\u00f3picos. A diminuta vida de D-503, protagonista de&nbsp;<em>N\u00f3s<\/em>&nbsp;(1924), romance de Zami\u00e1tin (1924), gira em torno da constru\u00e7\u00e3o da Integral: no limite, ela n\u00e3o passa de um gigantesco equipamento de guerra, que parece dar sentido \u00e0 mirrada exist\u00eancia do narrador. No&nbsp;<em>1984<\/em>, de Orwell (1949), o Partido do Grande Irm\u00e3o veicula diariamente, nas teletelas, conflitos inexistentes entre a Oceania e a Eur\u00e1sia, sob a lenta desconfian\u00e7a de Winston Smith. Tamb\u00e9m \u00e9 a guerra que preenche as p\u00e1ginas finais de&nbsp;<em>Fahrenheit 451<\/em>, de Bradbury (1953), enquanto Guy Montag memoriza trechos do \u201cEclesiastes\u201d. \u00c9 o estado de guerra permanente que justifica a falta de crian\u00e7as no pa\u00eds em que vive Offred, no relato sobre as metades de sua vida em&nbsp;<em>O conto da Aia<\/em>, de Atwood (1985). \u00c9 ainda, e sempre, a imin\u00eancia da guerra que serve a avalizar as pris\u00f5es arbitr\u00e1rias, as s\u00e1dicas sess\u00f5es de tortura e o exterm\u00ednio de sujeitos tidos por indesej\u00e1veis, pelo Estado, como se v\u00ea na&nbsp;<em>Nova Ordem<\/em>, de Kucinski (2019).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depreende-se, com alguma facilidade, que, no mundo dos ultraindiv\u00edduos cabe a eles (e por tabela, a n\u00f3s) a maior cota de responsabilidade por determinados gestos e atitudes indecorosas, perante o que dita o regime. Recorrendo a Gustave Le Bon (1841-1931), Freud sup\u00f4s que \u201cna massa o indiv\u00edduo est\u00e1 sujeito a condi\u00e7\u00f5es que lhe permitem se livrar das repress\u00f5es dos seus impulsos instintivos inconscientes [\u2026] o cerne da chamada consci\u00eancia moral consiste no \u2018medo social\u2019.\u201d Os discursos da crise e da inseguran\u00e7a passaram a justificar o comportamento reativo e punitivo da sociedade moderna (supondo que ela possa ser chamada desse modo desde o final do s\u00e9culo XVIII).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De fato, quanto mais muni\u00e7\u00e3o as pol\u00edticas ditas \u201cde seguran\u00e7a\u201d recebem, mais se confundem atitudes \u201cde bem\u201d com a manuten\u00e7\u00e3o de (in)certa ordem \u2013 n\u00e3o necessariamente seguida pelos autores e carrascos das leis. O cen\u00e1rio est\u00e1 cheio de nuvens, por vezes de fuligem, ou de cinza amaz\u00f4nica; mas os problemas n\u00e3o nos afligem, quando distantes. Na falta de referenciais, o sujeito reproduz o discurso tido por oficial, este frequentemente mancomunado com o receitu\u00e1rio da m\u00eddia corporativa. Na s\u00edntese de Althusser: \u201c[\u2026] o Aparelho de Estado compreende dois corpos: o corpo das institui\u00e7\u00f5es que constituem o aparelho repressivo do Estado, e o corpo de institui\u00e7\u00f5es que representam o corpo dos Aparelhos Ideol\u00f3gicos do Estado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O desejo de ordem resvala no sadismo particular (que se pretende coletivo) de quem julga, condena e pune, tornando&nbsp;<em>suas<\/em>&nbsp;as a\u00e7\u00f5es que caberiam \u00e0s autoridades da Justi\u00e7a ou do Executivo. Cada um parece se metamorfosear em uma imita\u00e7\u00e3o piorada dos j\u00e1 caricatos \u201capresentadores\u201d (ou vociferadores) de tev\u00ea, a rebaixar a discuss\u00e3o em torno dos Direitos Humanos e a induzir a pr\u00e1tica de um pretenso \u201cjusti\u00e7amento\u201d inoxid\u00e1vel, em nome do&nbsp;<em>bem<\/em>, da&nbsp;<em>ordem<\/em>, da&nbsp;<em>\u00e9tica<\/em>, da&nbsp;<em>repara\u00e7\u00e3o<\/em>&nbsp;de danos ao sistema. Foucault afirmou, numa aula de 1973, que desde meados do s\u00e9culo XVIII, o \u201ccriminoso\u201d passou a ser descrito e considerado como \u201cinimigo do Estado\u201d, na Fran\u00e7a; e que, a partir do s\u00e9culo XIX, \u201c[\u2026] a consci\u00eancia clara e perfeitamente formulada no discurso a \u00e9poca de que as leis s\u00e3o feitas por pessoas \u00e0s quais elas n\u00e3o se destinam, mas para serem aplicadas \u00e0queles que n\u00e3o as fizeram\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ora, onde repousam as pol\u00edticas ultraliberais que alguns conterr\u00e2neos est\u00e3o a aplicar com vigoroso empenho nesta terra arrasada, sob o discurso do melhor devir? No medo do outro e no consumo&nbsp;<em>per se<\/em>. \u00c0 tarde odeia-se; \u00e0 noite, adquire-se. De dia, o ritmo acelerado nas ruas, a driblar as gentes \u201cdiferenciadas\u201d; \u00e0 noite, o abrigo sob a c\u00fapula maternal dos&nbsp;<em>shoppings centers<\/em>. Jean Baudrillard percebeu o fasc\u00ednio exercido pelas mercadorias sobre a sociedade que (se) define como&nbsp;<em>de consumo<\/em>: \u201cAs grandes lojas, com sua lux\u00faria de conservas, roupas, produtos aliment\u00edcios e confec\u00e7\u00e3o, s\u00e3o como a paisagem prim\u00e1ria e o espa\u00e7o geom\u00e9trico da abund\u00e2ncia. [\u2026] H\u00e1 algo mais na acumula\u00e7\u00e3o [<em>amoncellement<\/em>] que a soma dos produtos: a evid\u00eancia do excedente [<em>surplus<\/em>], a nega\u00e7\u00e3o m\u00e1gica e definitiva da raridade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O&nbsp;<em>ultra<\/em>indiv\u00edduo \u00e9, sob quase todos os aspectos, um&nbsp;<em>micro<\/em>indiv\u00edduo. Ele n\u00e3o se aprimora porque isso seria engrandecedor, mas para porque \u201cpega bem\u201d consultar um&nbsp;<em>coach<\/em>&nbsp;na neocol\u00f4nia (em que se articula melhor em ingl\u00eas que em portugu\u00eas). Ele n\u00e3o defende a ordem por ser honesto e justo, mas para disfar\u00e7ar sua falibilidade. Ele n\u00e3o considera o outro, se n\u00e3o como meio de recompensa. Ele prefere reproduzir o pensamento \u00fanico que ser responsabilizado pela dissens\u00e3o nos grupos virtuais, onde finge se importar com os familiares, amigos e demais conhecidos (que, assim como ele, prestam servi\u00e7o e continuam a depositar o cr\u00e9dito que n\u00e3o t\u00eam na chamada \u201clivre iniciativa\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Talvez gra\u00e7as a sua dimens\u00e3o apequenada, entre a histeria e a resigna\u00e7\u00e3o covarde, o ultraindiv\u00edduo permanece \u00e0 espreita de qualquer den\u00fancia que valha para os outros (bem entendido), de modo que ele possa externar o seu espumoso desejo de justi\u00e7a, reconfortar-se como \u201ccidad\u00e3o de bem\u201d e coparticipar, orgulhosa e patrioticamente, da sutura do tecido social. Em benef\u00edcio pr\u00f3prio porque mais&nbsp;<em>merece<\/em>, claro esteja.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/artigos\/licoes-do-romance-distopico\/?fbclid=IwAR2WJRzmPk-RCOvy8AsML9juwpnGGzRiQi02EwZOagcFU-aZjFQ1EQnVgtw#_ftnref1\">[1]<\/a>&nbsp;De acordo com Noam Chomsky, o \u201c<em>Consenso<\/em>&nbsp;[neoliberal]&nbsp;<em>de Washington<\/em>&nbsp;\u00e9 um conjunto de princ\u00edpios orientados para o mercado, tra\u00e7ados pelo governo dos Estados Unidos e pelas institui\u00e7\u00f5es financeiras internacionais que ele controla e por eles mesmos implementados de formas diversas \u2013 geralmente, nas sociedades mais vulner\u00e1veis, como r\u00edgidos programas de ajuste estrutural\u201d (cf.&nbsp;<em>O lucro ou as pessoas? Neoliberalismo e ordem global<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/artigos\/licoes-do-romance-distopico\/?fbclid=IwAR2WJRzmPk-RCOvy8AsML9juwpnGGzRiQi02EwZOagcFU-aZjFQ1EQnVgtw#_ftnref2\">[2]<\/a>&nbsp;Segundo Byung-Chul Han, \u201c[\u2026] no regime neoliberal de autoexplora\u00e7\u00e3o, a agress\u00e3o \u00e9 dirigida contra n\u00f3s mesmos. Ela n\u00e3o transforma os explorados em revolucion\u00e1rios, mas sim em depressivos\u201d (cf.&nbsp;<em>Psicopol\u00edtica \u2013 o neoliberalismo e as novas t\u00e9cnicas de poder<\/em>).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jean Pierre Chauvin, professor da disciplina de gradua\u00e7\u00e3o Romance Dist\u00f3pico, na ECA\/USP Editorias:&nbsp;Artigos&nbsp;&#8211; URL Curta:&nbsp;jornal.usp.br\/?p=271025 Para meus(minhas) alunos(as) Se<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2144,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[155,154],"tags":[],"class_list":["post-2140","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-jornal-da-usp"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cje.eca.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2140","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cje.eca.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cje.eca.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cje.eca.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cje.eca.usp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2140"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/cje.eca.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2140\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2145,"href":"https:\/\/cje.eca.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2140\/revisions\/2145"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cje.eca.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2144"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cje.eca.usp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2140"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cje.eca.usp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2140"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cje.eca.usp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2140"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}